
África é um continente com um potencial de investimento rico tanto para investidores internos como internacionais.
Como parte da sua missão, o ICF procura combater a imagem errada que actualmente existe sobre África como destino de investimento e local para exercer uma actividade. Apesar de todas as notícias de guerra e fome, acreditamos que África merece ser reconhecida como um continente repleto de oportunidades e empreendedorismo. Segundo números do Banco Mundial, África oferece actualmente a "rendibilidade mais elevada de todas as regiões do mundo".
No entanto, sabemos perfeitamente que África não é um local fácil para exercer uma actividade. Daí que para nós não foi supresa nenhuma quando o Banco Mundial, mais uma vez, classificou a região sub-sariana de África como a região do mundo menos propícia ao exercício de uma actividade no seu mais recente "Doing Business Report" (Relatório Exercer uma Actividade).
Este continente apresenta uma paisagem empresarial extremamente fragmentada e as empresas, independentemente da sua dimensão ou estrutura, têm de enfrentar diferentes obstáculos e barreiras que tornam a sua actividade muito difícil.
Uma burocracia excessiva e ineficaz pode muitas vezes sufocar e impedir as boas práticas comerciais. É o exemplo das alfândegas, onde os atrasos em África já são bem conhecidos. O cumprimento dos regulamentos e obrigações existentes a nível nacional e regional pode revelar-se uma tarefa pesada, dispendiosa e morosa. Hoje em dia é mais fácil e rápido ao Burkina Faso exportar o seu feijão verde para França do que para os países vizinhos. E o pior é que, mesmo as empresas mais cumpridoras acabam por se sentir desmotivadas face aos seus concorrentes "não-cumpridores" que muitas vezes passam à frente dos outros e fogem às suas obrigações regulamentares.
As infraestruturas em África são outro problema que necessita de uma resposta urgente. Problemas de transporte, logística, energia e tecnologia condicionam as actividades diárias das empresas neste continente. Segundo estimativas da Commission for Africa (Comissão para África), será necessário um montante adicional aproximado de 20 biliões de dólares por ano para suprir esta lacuna de infraestruturas em África.
O ICF também encara como crucial para este continente o desenvolvimento dos mercados de capitais e o fomento do acesso ao financiamento e ao crédito por parte das empresas, para além da necessidade de fortalecer os direitos de propriedade e melhorar os sistemas jurídico e de aplicação da lei de modo a proteger e promover o exercício legítimo de uma actividade.
Outro aspecto fundamental para a sustentabilidade a longo prazo do sector privado no continente é o incentivo ao sector das PME em África.
Em países de rendimento elevado, estima-se que o sector das PME contribua para mais de 50% do PIB. Em países de rendimento baixo, estima-se que o contributo do sector das PME para o PIB seja de 16%; e na maioria dos países africanos, estima-se que este contributo seja inferior a 10%. Este potencial não aproveitado torna as PME uma peça fundamental na agenda de transformação económica, não só em termos do PIB, mas também em termos de potencial para a criação de postos de trabalho, inovação, desenvolvimeno de capacidades, etc..
Apesar de todos os desafios que as empresas têm de enfrentar em África, continuamos optimistas quanto a uma mudança sustentável no prazo de sete anos.
Actualmente já há muitos países africanos que anseiam por esta reforma; de acordo com o Banco Mundial, pelo menos dois terços dos países africanos fizeram uma reforma em 2006. Em 2007, entre os principais reformadores mundiais, estão países como o Burkina Faso, Gana, Quénia e Maurícia.
A base de apoio que o ICF tem recebido dos governos e instituições africanos é uma prova cabal de um consenso crescente de que é fundamental uma reforma do clima de investimento para obter um crescimento económico maior. Além disso, o recente crescimento económico registado em África pode, pelo menos em parte, ser atribuído à existência de um clima de investimento mais forte e a uma melhor governação em todo o continente.